RESENHA – Devoy livro 1, Kassan

Para comemorar o lançamento da capa da Devoy nesse final de semana, confiram a resenha que o Thiago Suniga (Thi-chan \o/) fez para o livro no Skoob:

(wallpaper feito pelo André Siqueira xD Podem baixar o/) 

Eu conheço a Paula. Quero dizer, eu conheço a Paula escritora de fanfics. Enquanto lia, eu não conseguia me desprender dessa imagem. E, no começo, isso funcionou. Felizmente, não por muito tempo. Mesmo acreditando que fanfiction é uma maneira válida de trabalhar sua criatividade, remontando da maneira como você queria que a história estivesse ou até montando da base algo completamente diferente, ainda assim é apenas isso: uma montagem.

Não Devoy. Kassan, intueri, ocultos, pessoas poderosas com habilidades fantásticas. Não é como se eu estivesse com pouca fé, mas ela me pediu estritamente para ser critico, e isso eu tentei ser. Espero que tenha sido. Como disse, no começo não conseguia me segurar em ver apenas aquela escritora de fanfics que escreveu histórias divertidíssimas e algumas tão dramáticas quanto possível (Um Outro Rumo, oi?). Contudo, logo isso mudou.

Ela me apresentou a Celebriant. Já havia lido histórias onde ela utilizara esse nome, mas essa personagem é simplesmente única. A apatia de não saber quem ela queria ser era evidente. No começo, você acha que ela não tem futuro, e tampouco ela acredita que tenha um. É como se ela estivesse em uma situação típica que todos nós passamos na nossa vida. Isso pelo menos até que tudo mudasse.

Não posso dizer que ela é insegura. Porém, digo que Celebriant é, acima de tudo, humana. Ninguém é firme o tempo todo, ninguém é frio o tempo todo. Ela tenta se mostrar assim, pois nunca fora realmente vista por aqueles que a rodeavam. Então, um acontecimento e o mundo simplesmente se abriu ao seu redor.

E ela, como tenho certeza de que todos nós ficaríamos, ficou perdida. “Zero to hero”, eu diria. O problema, como é muito bem citado na sinopse, é que não queria ser. Na verdade, após passar tanto tempo sem saber o que ela poderia ser – ou até mesmo sabendo que não poderia ser nada -, ela foi sugada para o mundo dos Ocultos. Sim, ela sempre soube da existência deles e sempre os teve ao seu redor. Porém, eles nunca a viram. Não até que seu Kassan despertasse.

Quando isso aconteceu, todos se voltaram para ela. Sem ter como lutar – e sem saber se teria como, mesmo se quisesse -, aceitou seu destino: seria a melhor Oculta que poderia ser. Noivou, como os costumes diziam para que ela fizesse. Lutou, como todos queriam que ela fizesse. Tornou-se daquela insegura Celebriant sem futuro em alguém que só conhecera em seus pesadelos.

Nesse momento da leitura, você está simplesmente devorando o livro. Eu sei disso e você pode até negar, mas provavelmente não irá conseguir se desprender das páginas. Na noite do dia em que eu comecei a ler, não dormi. E também não parei de ler. Confesso que me identifiquei de imediato. Porque, dentro dela, havia algo a incomodando. E quem de nós nunca teve aquela sensação de que estamos fazendo algo que não deveríamos estar fazendo? Mesmo que pequena, minúscula, todos nós temos essa sensação.

Celebriant não é diferente. Só que poucos são corajosos o suficiente para aceitar essa pequena sensação e transformar na fé necessária para que você possa mudar a si mesmo. E é isso que lentamente é possível notar. Essa humanidade repleta de fé que começa a levá-la do mundo dos Ocultos para um lugar onde sua consciência não precisava ser sua maior inimiga.

Nesse processo de mudança, conhecemos Erik. Eles rapidamente se tornam amigos, algo que, logo no começo, percebemos que a Celebriant não tem. Ok, ok, talvez eu esteja exagerando, afinal ela tem um afeto enorme – e recíproco – pela sua irmã Saori. Mas, ainda assim, é diferente. Ele é diferente. São de mundos adversos e por mais que sua amizade seja condenada aos olhos dos outros e mantida em segredo, eles se tornam muito próximos em um respeito mútuo. Então, como mágica, passamos a torcer por eles.

Ele a ajuda a crescer, mas somente ao chegar ao final do livro é que descobriremos se isso é suficiente para fazê-la mudar. Para que ela aceite esse sentimento incômodo como sendo a verdadeira Celebriant, e não aquela Oculta que precisa manter o sangue frio em todas as situações. Nesse momento, a dúvida sobre a protagonista ser boa ou má se torna evidente. Não sabemos quem ela quer ser e essa é a maior dúvida de todo livro. E, no final, nos damos conta de que ela não é nenhum dos dois. Nos apaixonamos por ela pelo mais simples motivo: porque é humana. Ninguém sempre erra e ninguém sempre acerta. Celebriant não é uma excessão.

E é por isso que eu amo Devoy. A narrativa nos prende e nos carrega por toda história. A história daquela que tinha tudo para ser a melhor Oculta que já existiu, que é obrigada a tomar atitudes que nunca imaginou possíveis, que é manipulada e, em muitos momentos, incapaz de ditar os próprios passos. A melhor Oculta que não queria ser. Ao ler, descobriremos se, enfim, ela irá conseguir se libertar. Ser, enfim, quem ela deseja ser. Seria possível? Afinal, você pode mudar quem você supostamente nasceu para ser?

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